Varíola dos macacos ou dos humanos?!

A varíola humana não é a Monkeypox. A varíola humana foi declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde em 1980. Esta era causada pelo vírus do gênero Orthopoxvirus e família Variolae e a Monkeypox é causada pelo Monkeypox vírus do mesmo gênero, mas da família Poxviridae. Geneticamente, ambos possuem uma semelhança de quase 90%.

A Monkeypox, popularmente conhecida como varíola dos macacos, é uma zoonose viral. Ou seja, é uma doença em que o vírus causador é transmitido dos animais para os seres humanos. Hoje, o contágio também acontece de pessoa para pessoa. A Monkeypox é parecida com a varíola comum, mas os sintomas são mais leves e a mortalidade muito mais baixa.

O nome pelo qual a doença ficou conhecida tem a ver com a sua origem. Isso porque o primeiro caso de infeção relatado foi em macacos num laboratório na Dinamarca, em 1958. O primeiro caso de varíola dos macacos registrado em humanos aconteceu em 1970, na República Democrática do Congo. Da década de 1970 para cá, o número de casos da doença aumentou progressivamente a cada ano. A partir de 2003, esta passou a ser conhecida fora do continente africano, geralmente restrita e relacionada com pessoas que viajaram para a África ou tiveram contato com animais vindos de lá.

A explosão de casos aconteceu em maio de 2022, chegando a mais de 27 mil infeções em todos os continentes em menos de quatro meses.

A transmissão entre humanos ocorre principalmente por meio de contato pessoa a pessoa com as lesões de pele, com secreções respiratórias de pessoas infetadas, bem como com objetos recentemente contaminados. O vírus também pode infetar as pessoas por meio de líquidos corporais. Trata-se de uma doença que exige, geralmente, contato muito próximo e prolongado para transmissão de pessoa a pessoa (por exemplo, face a face, pele a pele, boca a boca, contato boca a pele, inclusive durante o sexo).

Os sinais e sintomas duram de 2 a 4 semanas. Na pele, surgem lesões de consistência dura, visíveis e elevadas; a febre tem início súbito e há presença de inchaço dos gânglios, sendo essa uma característica clínica importante para distinguir a Monkeypox de outras doenças.

Outros sintomas incluem dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, calafrios e exaustão. O período de incubação é tipicamente de 6 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. Quando a crosta desaparece, a pessoa deixa de infetar outras pessoas.

Na maioria dos casos, os sintomas da varíola dos macacos desaparecem sozinhos em poucas semanas, mas em algumas pessoas podem provocar complicações médicas e até mesmo a morte. Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente correm risco de sintomas mais graves e de morte por varíola dos macacos.

As possíveis complicações de casos graves de varíola dos macacos são infeções de pele, pneumonia, confusão mental e infeções oculares que podem levar à perda da visão. Recentemente, cerca de 3% a 6% dos casos notificados provocaram morte em países endémicos, frequentemente entre crianças ou pessoas com alguma condição crónica de saúde. É importante levar em conta que essa percentagem pode estar subestimada, pois a vigilância em alguns países é limitada.

Se achar que tem sintomas ou teve contato próximo com alguém infetado com a varíola dos macacos, entre em contato com um profissional de saúde para aconselhamento, avaliação e assistência médica. Se possível, isole-se e evite o contato próximo com outras pessoas.

A vacina JYNNEOS® será recomendada após avaliação do risco individual, mediante indicação da autoridade de saúde, tendo em conta os critérios específicos para vacinação contra a infeção humana pelo vírus Monkeypox. Ser-lhe-á emitida uma declaração para vacinação e ser-lhe-á indicado o local ou locais onde poderá ser vacinado.

A vacinação deve ocorrer idealmente nos primeiros 4 dias após o último contacto. Pode ainda ocorrer até 14 dias após a última exposição, se a pessoa se mantiver assintomática e se o caso a que a pessoa foi exposta for provável ou confirmado.

Maria do Céu Morais – Enfermeira Especialista de Saúde Comunitária

Unidade de Saúde Pública – ACeS Cavado II – Gerês/Cabreira