A Enfermagem e o impacto da obesidade no potencial de crescimento e desenvolvimento da criança (dos 6 aos 8 anos), uma análise SWOT

O excesso de peso e a obesidade infantil, constituem na atualidade uma das maiores problemáticas de saúde pública.

O excesso de peso e a obesidade são definidos pela Organização Mundial de Saúde (2016) como uma acumulação anormal ou excessiva de gordura corporal que pode afetar a saúde do indivíduo.

Constitui um grave fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes tipo 2, doença coronária, apneia do sono e alguns tipos de cancro, entre outras patologias. Não obstante, as crianças obesas são, por vezes, vítimas de bullying e são mais permeáveis a problemas do foro psicológico em adultos (CDC, 2021).

Ainda de acordo com o CDC (2021), se as tendências atuais continuarem, até 2050, a maioria das crianças e adolescentes de hoje (57,3%) deverá ser obeso aos 35 anos. Torna-se, portanto, premente debruçarmo-nos sobre esta temática, encontrando estratégias de ação para a promoção e maximização do potencial destas crianças, almejando-se que cresçam saudáveis, fortes e promovendo o seu empoderamento e o da sua família.

Uma vez que a definição de criança é bastante alargada na sua faixa etária, optou-se por restringir esta, analisando-se a temática entre as crianças dos 6 aos 8 anos, considerando-se, de acordo com COSI (2019), que esta faixa etária constitui um grupo “chave”, pois antecede a puberdade, constituindo ainda um elemento básico preditivo da obesidade na idade adulta. Não obstante, o segundo pico de crescimento adipocitário rápido, ocorre por volta dos 6 anos, pelo que se torna pertinente o desenvolvimento de estratégias de prevenção e redução do excesso de peso e da obesidade, nesta faixa etária.

Considerando-se a importância do debate da temática exposta, procede-se em seguida à sua análise de acordo com a metodologia SWOT:

Assumem-se como forças, a literacia em saúde dos pais/cuidadores. Atualmente, dispomos de pais/cuidadores com maior nível de formação, mais atentos, mais informados, sobre a temática. A existência de uma predisposição e envolvimento da família sobre o tema, facilita o seu envolvimento

No que concerne às fraquezas, podemos admitir que excesso de peso/obesidade nas crianças poderá ser influenciado por vários fatores. Encontram-se descritos na literatura várias determinantes e causas que se poderão associar ao excesso de peso e obesidade infantil.

Também os fatores socioculturais podem contribuir para o desenvolvimento do excesso de peso e obesidade. Frequentemente, há tendência a usar a comida como recompensa, como um meio de controlar a criança e como forma de socialização. Este uso inadequado, pode concorrer para o desenvolvimento de relações não saudáveis ​​com a comida, aumentando assim o risco de desenvolver obesidade.

Como oportunidades, considera-se que os enfermeiros, pela proximidade e acompanhamento, sobretudo nos cuidados de saúde primários, num continuum de tempo, podem e devem desempenhar um papel importante na prevenção da obesidade, pois encontram-se numa posição única para criar uma parceria de cuidados com o binómio criança-família.

Neste sentido, a participação na consulta de vigilância de saúde infantil constitui um momento de excelência para reflexão conjunta entre os pais/cuidadores e o enfermeiro sobre fatores potenciadores do excesso de peso e obesidade, possibilitando a aquisição de conhecimentos e estratégias para a sua prevenção.

A existência de equipas de saúde escolar compreende-se como uma excelente oportunidade para a abordagem do tema em contexto escolar, com o seu principal interveniente, as crianças. Trabalhar com estas, permite-nos não só dotá-las de conhecimentos para que possam refletir melhores práticas, como constituem um excelente vetor de informação e de influência nas próprias famílias.

Considera-se como a principal ameaça, a evolução tecnológica, nomeadamente o excessivo “consumo” de videojogos, o uso de tablets, telemóveis, televisão, sendo que esta última se encontra presente, frequentemente tanto no momento das refeições, como no quarto da criança, o que potencia o sedentarismo e gera alterações do padrão do sono, fatores de risco para o desenvolvimento da obesidade.

Também os fatores dietéticos contribuem para o aumento das taxas de excesso de peso e obesidade. Entre estes fatores, incluem-se o consumo de fast food, bebidas açucaradas e alimentos altamente processados, como os snacks. Destaca a importância que as políticas governamentais detêm na promoção de comportamentos saudáveis.

Em suma, o excesso de peso e a obesidade, poderão ser evitáveis, se nos concentramos conjuntamente com a criança-família nas suas causas e nos fatores que concorrem para o seu desenvolvimento.

O estabelecimento de uma parceria de cuidados, através da criação de uma relação de confiança entre a criança, a família e o enfermeiro, através da aceitação mútua das capacidades, limitações e vontades de cada interveniente, constitui-se elemento-chave para a maximização do potencial de crescimento e desenvolvimento da criança, prevenindo-se o excesso de peso e obesidade.

Não obstante, o enfermeiro adquire um papel fundamental, podendo intervir no micro e macro ambiente da criança, considerando-se a temática exposta de extrema importância para ser deixada somente à intervenção dos profissionais da saúde. Reconhece-se que as comunidades escolar e familiar muito podem contribuir para o sucesso da prevenção do excesso de peso e obesidade.

Referências Bibliográficas:

Centers for Disease Control and Prevention (2021). Helping Young Children Thrive: Healthy Practices in the Early Care and Education (ECE) Setting. Consultado em Maio 30, 2022 em https://www.cdc.gov/obesity/strategies/early-care-education/helping-young-children-thrive/index.html

COSI. (2019). Childhood Obesity Surveillance Initiative Portugal 2019. Consultado em Junho 4, 2022 em http://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2019/07/COSI2019_FactSheet.pdf

World Health Organization (2016). Enfoques poblacionales de la prevención de la obesidad infantil. Consultado em Maio 30, 2022 em https://apps.who.int/iris/handle/10665/250751

Catarina Pinto Cruz

Enfermeira

Pós-Graduada em Enfermagem de Cuidados Paliativos