Dia 5 de maio de 2022 – Dia Mundial da Higiene das Mãos

A mão é considerada um dos órgãos mais importantes do corpo humano, responsável pela realização de tarefas mais elaboradas no corpo humano. Os dedos tornam as mãos uma parte única do nosso corpo, permitindo-nos, por meio do tato, manusear objetos, determinar temperaturas, texturas e até o nível de rigidez daquilo em que tocamos.

É precisamente por isto que as mãos são também o principal veículo de transmissão de microrganismos de um indivíduo para outro ou do ambiente para o indivíduo.

Assim sendo, a higienização das mãos é indiscutivelmente a principal medida no combate à transmissão de microrganismos como vírus e bactérias.

As nossas mãos são revestidas por pele e esta é constantemente exposta a vários tipos de agentes nomeadamente microrganismos do ambiente. A pele das mãos tem dois tipos de flora microbiana: a Flora transitória e a Flora residente.

A flora transitória fica localizada na superfície da pele e é formada por microrganismos que adquirimos no contacto com o ambiente, quer este seja animado ou inanimado. Qualquer tipo de microrganismo pode ser encontrado transitoriamente nas mãos, apesar de ser mais comum encontrar bactérias como bacilos Gram Negativos (ex. Escherichia coli e Pseudomonas spp.) e cocos Gram Positivos (ex. Staphylococcus aureus) – os agentes bacterianos mais frequentemente causadores de infeções associadas aos cuidados de saúde. Estes têm um curto tempo de sobrevida, um elevado potencial patogénico ( de causar doenças) e são facilmente transmitidos por contacto. A simples lavagem das mãos, com água e sabão neutro por meio de fricção mecânica remove-os com facilidade.

A flora residente existe normalmente na epiderme onde se multiplica, tendo funções importantes na prevenção da colonização com a flora transitória. Esta flora é constituída principalmente por bacilos e cocos Gram positivos e anaeróbios. Raramente causa doença a não ser quando introduzida traumaticamente nos tecidos ultrapassando as barreiras naturais como por exemplo uma ferida aberta. Estes microrganismos não são facilmente removidos pela ação mecânica da lavagem das mãos.

Assim quando se recomenda a lavagem com água e sabão o que se pretende é a remoção da sujidade e da maior parte da flora transitória das mãos.

A desinfeção das mãos, ou seja, a “aplicação de solução de base alcoólica”, pode reduzir o número de microorganismos, mas não tem o mesmo efeito que a lavagem das mãos com água e sabão ou detergente, até porque, além de não permitir a remoção de substâncias químicas nocivas ao organismo, como pesticidas e metais pesados, se as mãos se encontrarem visivelmente sujas ou gordurosas, o desinfetante pode não ser ativo. Além do mais, a solução desinfetante não é ativa contra todos os microorganismos.

Manter as mãos limpas é um dos mais importantes passos que podemos dar para evitar ficar doente e disseminar microrganismos por outras pessoas.  Continue a lavar as mãos!

Maria do Céu Morais – Enfermeira Especialista de Saúde Comunitária- Coordenadora do grupo de Controlo de Infeção (PPCIRA)

do  ACeS Cavado II – Gerês/Cabreira