Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica uma realidade nos cuidados de Saúde Primários

A integração nos Cuidados de Saúde Primários, de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (EEESMP), foi/é muito relevante, pelas respostas que trouxe em termos de intervenções mais especializadas na área da Saúde Mental.

A Saúde Mental constitui um problema de saúde pública pelo seu grande impacto na vida/saúde (física e mental) da pessoa, da sua família, da comunidade onde está inserida, da economia e das políticas. Ultimamente, a Saúde Mental tem sido alvo de maior interesse político, quer a nível nacional, europeu como a nível e mundial. Na última década, o Plano de Ação de Saúde Mental foi um documento marcante, que resultou do mais alto nível de comprometimento político (194 Ministros da Saúde da Assembleia Mundial da Saúde) e identificou nitidamente os objetivos, as ações, os indicadores e as metas na área da Saúde Mental global. Este Plano definiu quatro grandes objetivos, sendo um deles, a implementação de estratégias de promoção e prevenção em Saúde Mental. (Relatório de Primavera, 2019)

“A saúde mental é uma componente fundamental do bem-estar dos indivíduos e as perturbações mentais são, de entre as doenças crónicas, a primeira causa de incapacidade em Portugal, justificando cerca de um terço dos anos potenciais de vida perdidos.” (Decreto-Lei n.º 113/2021 de 14 de dezembro, pág. 104)

O/a Enfermeiro/a ESMP, presta cuidados psicoterapêuticos, sócioterapêuticos, psicossociais, e psicoeducacionais, em Enfermagem, à pessoa ao longo do ciclo de vida, de forma a manter/ melhorar/recuperar a sua saúde. É capaz de interpretar e individualizar estratégias: ensina, orienta, descreve, instrui, treina, capacita, apoia, assiste; implementa intervenções psicoterapêuticas e socioterapêuticas, individualmente, a familiares ou em grupo, centradas nas respostas humanas aos processos de saúde/ doença mental e às transições; utiliza técnicas psicoterapêuticas e socioterapêuticas que aumentam o “insight” da pessoa; que facilitam respostas adaptativas que permitam à pessoa, recuperar a sua saúde mental; que ajudam a desenvolver e integrar a perturbação ou doença mental e os deficits por elas causadas, fazendo escolhas que promovam mudanças positivas no seu estilo de vida; que permitam à pessoa libertar tensões emocionais e vivenciar experiências gratificantes; implementa programas de promoção da saúde mental em locais de trabalho, etc., visando a redução de fatores de stresse, a gestão de conflitos e comportamentos abusivos. (DR, 2ª Série –Nº151, 2018)

“As perturbações psiquiátricas têm uma prevalência de 22,9 %, colocando Portugal num preocupante segundo lugar entre os países europeus, com 60 % destes doentes sem terem acesso a cuidados de saúde mental. Especificamente, a depressão afeta 10 % dos portugueses e, em 2017, o suicídio foi responsável por quase 15 000 anos potenciais de vida perdidos.” (Decreto-Lei n.º 113/2021 de 14 de dezembro, pág. 104)

A Doença Mental afeta a nossa forma de pensar, de comunicar, de aprender e de nos desenvolvermos. Quando a pessoa sente um bem-estar, é capaz de reforçar a sua resiliência e a sua autoestima (fundamental para uma participação bem-sucedida na comunidade, sociedade, vida profissional e nas relações interpessoais).

A Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Amares, atualmente, tem ao dispor da sua comunidade (Concelho de Amares), duas Enfermeiras ESMP, que têm dado respostas às solicitações, cujo objetivo primordial é melhorar a Saúde Mental desta.

Qualquer pessoa, de qualquer idade, com presença de problema a nível da sua Saúde Mental, deve e pode procurar ajuda através, do seu/sua Enfermeiro(a) de Família e/ou Médico(a) de Família ou de outro Profissional de Saúde, do Centro de Saúde de Amares.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Almeida et al (2013) – ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO NACIONAL DE SAÚDE MENTAL, 1º RELATÓRIO, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, ISBN: 978-989-98576-0-5

Comissão Europeia. (2014). Promoção da Saúde Mental no Local de Trabalho – Orientações para a aplicação de uma abordagem abrangente. Novembro, 2014. Disponível em file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/KE0417232PTN.PDF

Diário da República (2021) – Diário da República, 1.ª série, Nº 240 14 de dezembro de 2021, Decreto-Lei n.º 113/2021, acedido a 10/01/2022 em https://files.dre.pt/1s/2021/12/24000/0010400118.pdf

Diário da República, 2.ª série, N.º 151 (2018). Ordem dos Enfermeiros, Regulamento n.º 515/2018, Regulamento de Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, 7 de agosto de 2018.  Disponível em: https://dre.pt/application/conteudo/115932570

Maria Luísa da Silva Brito (2018) – “O Enfermeiro com Terapeuta de Referência nas Equipas de Saúde Mental Comunitária”, Ordem dos Enfermeiros, novembro de 2018, ISBN: 978-989-8444-56-1, acedido a 13/12/2021 em https://www.flipsnack.com/ordemenfermeiros/o-enfermeiro-como-terapeuta-de-refer-ncia-nas-equipas/full-view.html

Observatório Português de Sistemas de Saúde. (2019). Saúde um Direito Humano – Relatório de Primavera 2019.