RESUMOS SOBRE AMAMENTAÇÃO: 1-QUALIDADE DE LEITE MATERNO

“Há leite materno de baixa qualidade, ou seja, há leites maternos Fracos?

Quando se fala ou se escreve sobre amamentação e leite materno, parece haver uma tendência natural para se conduzir o tema para as vantagens ou benefícios desta prática. No entanto, o tema representa um vasto leque de possibilidades de abordagem.

A forma de alimentação de uma criança, nos primeiros anos de vida, para além de continuar a ser um problema de saúde pública, tem sido também objeto de estudo na comunidade científica. Os francos benefícios da amamentação e do leite materno para a saúde das mães e dos bebés, deveria representar uma preocupação na sua promoção e no apoio, por forma a que as mulheres encontrassem nos profissionais de saúde parceiros do seu próprio projeto.

Pelas suas características imunológicas e do ponto de vista nutricional, o leite humano é totalmente adequado às necessidades fisiológicas do lactente.  Assim, quando utilizado através da amamentação exclusiva, possui inúmeros benefícios, dentre os quais a proteção contra infeções e o efeito protetor contra as diarreias. A sua composição química é variável ao longo do tempo, da hora do dia e mesmo durante a mamada, ajustando-se às reais necessidades do bebé. Logo, parece que cada mãe produz um leite adaptado ao seu filho, independentemente da idade do lactente.

A literatura sugere diversas causas para o abandono precoce da amamentação, nomeadamente leite insuficiente ou pouco leite, lenta evolução do peso do bebé, as dificuldades que acompanham esta prática, entre outras. Algumas crenças e práticas enraizadas, bem como a insuficiente interpretação do comportamento e das necessidades normais do recém-nascido, entram em conflito com as recomendações da alimentação da criança pequena. No juízo de Carvalho & Tamez (2002) quando um bebé solicita a mama com frequência é comum ser interpretado como uma consequência de leite insuficiente ou fraco, mesmo que o bebé esteja a ter um crescimento adequado.

Confiantes de que todas as ocasiões deverão constituir uma oportunidade de promoção do aleitamento materno, independentemente da idade, ou género, promovemos o aleitamento materno junto de um grupo de adolescentes entre os 17 e os 19 anos, que participaram no estudo de forma livre e anónima. A nossa amostra era constituída por 20 adolescentes, dos quais 75% representam o género feminino e 25% o género masculino.

O tema teve uma abordagem simples, clara e incentivadora, no qual se promoveu a autonomia e a responsabilidade. No que concerne às aprendizagens, foram criados espaços interativos, estimulando a proatividade no esclarecimento de dúvidas. Para avaliação utilizámos um questionário composto por 15 questões, todas elas relacionadas com o leite materno e a amamentação, como, por exemplo, “Há leite materno de baixa qualidade, ou seja, há leite materno fraco?” que serviu de base para a construção deste artigo. O questionário de avaliação foi aplicado em três momentos: antes da abordagem, imediatamente após e nos 6 meses posteriores à mesma.

No gráfico da Figura 1 apresentamos os dados recolhidos referentes à questão nos três momentos de avaliação.

Gráfico 1 – Resultados à pergunta “Há leite materno de baixa qualidade, ou seja, há leites maternos fracos?” nos três momentos de avaliação.

Da analise do gráfico anterior, retiramos as seguintes elações:

  • antes da exposição do tema: dos 20 participantes, 13 adolescentes (65%) responderam “Verdadeiro”, 4 dos adolescentes (20%) responderam “Não sei “e 3 dos adolescentes (15%) responderam “Falso”;
  • imediatamente após a exposição do tema: obtivemos 100% de respostas “Falso”, pelo que houve alteração na opinião dos inquiridos;
  • 6 meses após: 5 dos participantes (25%) responderam “Verdadeiro”, 13 responderam “Falso” (65%) e 2 (10%) responderam “Não sei”.

Principais resultados:

Partindo dos resultados obtidos da nossa amostra, podemos inferir que:

  • A crença sobre existir “leite materno de baixa qualidade” está presente na nossa amostra;
  • 65% da nossa amostra consolidou conhecimento, confirmado pelos resultados obtidos no 3º momento de avaliação;
  • 35% da nossa amostra não consolidou o conhecimento, confirmado pelos resultados obtidos no 3º momento de avaliação;

Implicações futuras:

É fundamental promover o conhecimento sobre o aleitamento materno e sobre a qualidade do leite materno em concreto, em todas as oportunidades e junto de toda a população, independente da idade e do género.

BIBLIOGRAFIA

Carvalho,M.R &Tamez,R.N.(2002). Amamentação bases cientificas para a prática profissional. Rio de janeiro: Guanabara koogan.

Levy, L., & Bértolo, H. (2012). Manual do Aleitamento Materno. Lisboa: Comité Português para a UNICEF.

Ana Paula Carvalho

UCC Amares; Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Conselheira em Aleitamento Materno