Massagem Infantil – uma prática salutar!

A massagem infantil é uma arte muito antiga praticada em diversas culturas. São vários os estudos que indiciam um impacto positivo da massagem, quer no bebé, quer nas mães/pais que a praticam.

Os benefícios não se limitam só ao nível fisiológico, vão muito para além disso, pois promove o relacionamento forte com o bebé (bonding e vinculação), auxiliando as mães/pais a compreender a linguagem não-verbal do bebé, a respeitá-lo e responder-lhe com amor. Mesmo nas condições em que o estabelecimento do vínculo não tenham sido as mais favoráveis, a massagem é um excelente meio para potencializar esta ligação.

Durante a prática da massagem, o bebé é estimulado através do toque e do calor das mãos, e recebe atenção e amor. Este contato físico entre mães/pais e bebés promove o desenvolvimento do bebé, despertam-no para o mundo exterior, favorece a harmonia nos seus movimentos e a perceção dos 5 sentidos, ao mesmo tempo que desenvolve a autoconfiança das mães/pais.

A Associação Portuguesa de Massagem Infantil (APMI) divide em 4 grupos os benefícios da massagem infantil: Estimular, Interagir, Aliviar e Relaxar. Assim a massagem permite a estimulação de: sistema circulatório, sistema digestivo, sistema hormonal, sistema imunitário, sistema linfático, sistema nervoso, sistema respiratório, sistema vestibular (coordenação e balanço), desenvolvimento muscular e tónico, integração sensorial, consciência mental/corporal (…). A massagem pode ajudar a aliviar por exemplo, gases e cólicas, obstipação, dores de crescimento, tensão muscular (…). A interação inclui: promoção do “bonding”, promoção de uma vinculação segura, comunicação verbal e não-verbal, tempo de qualidade para a família, tolerância, toque nutritivo (…). O Relaxamento pode ser demonstrado através de: melhoria nos padrões de sono, ajuda a normalizar o tónus muscular, aumento da flexibilidade, aumento dos mecanismos ambientais de coping, regulação dos estadios comportamentais, melhoria da capacidade de autorregulação, redução dos níveis de stress e das hormonas de stress, níveis mais altos de relaxamento (…).

Considera-se importante mencionar que a pele é o maior órgão do corpo humano, sendo a interface por excelência entre o bebé e o mundo exterior. Também é reconhecido que o toque é o primeiro sentido a desenvolver-se in útero e é o último sentido a deixar-nos quando morremos. Para além da massagem, podemos referir como exemplos de toque positivo, o colo ou o método canguru, este último muito utilizado nas Unidades de Cuidados Especiais Neonatais.

Desde 2018 que a UCC Amares promove Cursos de Massagem Infantil para Pais, durante os quais para além de instruir os mesmos sobre as técnicas de massagem ao bebé, certificadas pela Internacional Association Infant Massage (IAIM), são abordados assuntos relacionados com a saúde infantil/parentalidade, para responder às reais necessidades/dúvidas das mães/pais.

Patrícia Ferreira

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica

ACES Cávado II – Gerês/Cabreira

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

FIGUEIREDO, B. (2007). Massagem ao bebé. Acta Pediátrica Portuguesa. 38 (1), 29-38.

MACHADO, C. (2010). A massagem como forma de influência positiva na relação da tríade numa unidade de cuidados intensivos neonatais. [Master´s thesis, Universidade Católica Portuguesa].

MCCLURE, V. et al. (2008). Manual for Infant Massage Instructores. Versão Portuguesa pela Associação Portuguesa de Massagem Infantil (APMI).

MCCLURE, V. (2016). Infant Massage: A handbook for loving parents. Souvenir Press.