Será o tema amamentação um mote de conversa em família?

Palavras-chave: Amamentação; Família; Leite Materno.

O Manual de aleitamento Materno de 2012, refere que “(…) o leite materno é um alimento vivo, completo e natural, adequado para quase todos os recém-nascidos, salvo raras excepções.” (Levy & Bértolo, 2012, p. 6).

Considerando que o leite materno é o melhor início de vida para o bebé, a Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até aos 6 meses de vida, podendo ser prolongada até aos 2 anos ou mais. “Existe hoje o consenso entre os pediatras de que a duração ideal do aleitamento materno exclusivo, ou seja, sem que seja oferecido ao bebé mais nenhum alimento, é de 6 meses.” (Levy & Bértolo, 2012, p. 8).

Ao longo dos tempos, na Humanidade, verificaram-se diversos marcos do progresso, como o fogo, o machado de sílex, a roda, a argila cozida ou os metais (Almeida, 2003). Como seria de esperar e atendendo ao facto de que como mamíferos produzimos leite para alimentar as nossas “crias”, a amamentação e o ato de amamentar tem acompanhado todas as transformações sociais até à atualidade.

A família, como primeira célula social que a criança encontra ao nascer e que será modeladora do adolescente, é simultaneamente transmissora de valores culturais e tradicionais. A amamentação como “experiência é proporcionada pelas famílias alargadas em que várias gerações coabitam, existindo uma transmissão de saberes e de práticas tradicionais favoráveis.

ao aleitamento materno. Uma experiência prévia com sucesso com um ou mais filhos também se reflecte positivamente na decisão de amamentar o futuro bebé.” (Levy & Bértolo, 2008, p. 11).

Contudo, parece que longe vai o tempo em que a prática da amamentação se vivia em família alargada e os conhecimentos se transmitiam de mãe para filha.

No sentido de compreendermos se o tema amamentação é objeto de conversa entre pais e filhos, abordámos alguns adolescentes entre os 17 e os 19 anos, que participaram no estudo de forma livre e anónima. A nossa amostra é constituída por 20 jovens dos quais 75% representam o género feminino e 25% o género masculino. (Figura 1).

Figura 1 – Percentagem de inquiridos por género

O questionário aplicado continha 15 questões, todas elas relacionadas com o tema amamentação, como, por exemplo a questão “Foste amamentado? Se sim durante quanto tempo?”, a qual serviu de base para a construção deste artigo. (Figura 2).

Figura 2 – Resultados da pergunta “Foste amamentado? Se sim, durante quanto tempo?”

Com base na nossa amostra, e ao analisarmos o gráfico da Figura 2, verificámos que dos 20 inquiridos 17 adolescentes (85%) responderam afirmativamente à questão, 3 (15%) declararam não saber responder e nenhum inquirido mencionou não ter sido amamentado. Relativamente ao tempo de duração da amamentação, as respostas variam entre 1 mês e os 3 anos, sendo que maioritariamente responderam que não sabiam (6), e 3 responderam que a duração foi de 3 meses.

Figura 3 – Percentagem da duração da amamentação

 

Principais Resultados

Partindo dos resultados obtidos da nossa amostra, podemos inferir que: a amamentação é um tema de conversa no seio familiar, embora se desconheça o contexto e a fonte em que os adolescentes obtiveram a informação, uma vez que este elemento não foi incluído na base do nosso estudo e que dos adolescentes que sabiam a duração da amamentação não acompanha as indicações da Organização Mundial de Saúde.

BIBLIOGRAFIA

Almeida, J. M. (2003). Adolescência e Maternidade. Lisboa: Temas actuais.

Levy, L., & Bértolo, H. (2008). Manual de Aleitamento Materno – Edição Revista (2008). Lisboa: Comité Português para a UNICEF.

Levy, L., & Bértolo, H. (2012). Manual do Aleitamento Materno. Lisboa: Comité Português para a UNICEF.

 

Ana Paula Carvalho

UCC Amares; Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Conselheira em Aleitamento Materno