VSR – o que é, e como se previne?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é a principal causa de infeção do aparelho respiratório nos primeiros dois anos de vida. Os recém-nascidos, os lactentes com idade inferior a 6 meses, as crianças com patologia pulmonar subjacente, com cardiopatia ou com imunodeficiência, integram os grupos de maior risco de contrair uma infeção grave. O período de incubação varia entre 3 e 5 dias. As reinfeções são frequentes mas de gravidade decrescente.

O VSR é responsável pela maioria das bronquiolites e pneumonias víricas e leva a um grande número de hospitalizações em crianças. Apesar da maioria das pessoas apresentar sintomas ligeiros, semelhantes a uma constipação, este vírus pode causar doença grave, especialmente em bebés e pessoas mais velhas.

Pelo fato de ser um vírus respiratório, a forma de propagação é semelhante ao SARS-CoV-2: através de gotículas respiratórias da pessoa infetada (frequentemente através de tosse ou espirros) que entram em contacto com os olhos, nariz ou boca, ou em caso de toque numa superfície contaminada com o vírus e depois toque no rosto.

Os meses de maior prevalência de infeção pelo VSR são os meses de inverno, podendo coincidir com a circulação do vírus da gripe – a epidemia pode ter início em outubro e estender-se até abril, podendo haver variações anuais deste padrão epidémico.

No contexto atual, e desde o final do mês de maio, foi observado em Portugal um aumento do número de casos positivos para VSR, situação que também se observou noutros países da Europa. Pensa-se que este fenómeno possa estar relacionado com a adoção de medidas de prevenção, como o confinamento, a lavagem das mãos, o distanciamento social ou utilização de máscaras no inverno passado, que limitaram a transmissão do coronavírus, mas também reduziram a propagação de outros agentes patogénicos. Com o aliviar destas medidas, constatou-se então um aumento significado de infeções respiratórias típicas da época de inverno.

Medidas Preventivas

A prevenção da infeção por VSR baseia-se na adoção de medidas higiénicas preventivas e na utilização do palivizumab (anticorpo IgG monoclonal humanizado).

A instrução aos pais sobre o risco dos bebés e crianças contraírem uma infeção das vias respiratórias, nomeadamente por VSR, é de extrema importância. Deve ter-se especial atenção aos bebés que têm irmãos mais velhos que frequentem infantários/escola. É fundamental insistir na higienização das mãos, especialmente durante os meses de inverno, bem como evitar o contacto com pessoas infetadas e/ou com sintomas respiratórios. A utilização da máscara para prestação de cuidados ao bebé/criança caso seja o cuidador o infetado é fundamental para reduzir o risco de contágio. Dissuadir a frequência de locais com grande concentração de pessoas, poluídos e/ou com fumo de tabaco.

A administração mensal do palivizumab a grupos de risco é recomendada pela DGS nos meses de maior risco (outubro a fevereiro) de acordo com a norma nº 012/2013 de 30/07/2013 atualizada a 28/12/2015. Este ano face à circulação atípica do VSR nos meses de verão, a DGS emanou um despacho (021/2021) que prevê a título excecional a antecipação da administração do palivizumab para a época 2021/2022, recomendando a antecipação do início de administração da 1ª dose a partir da segunda quinzena de setembro.

Patrícia Ferreira

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica

ACES Cávado II – Gerês/Cabreira

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMORIM, Hugo. (2011). Abordagem Clínica da Bronquiolite Aguda no Contexto Atual. Tese Mestrado da FMUC.

PORTUGAL. Direção Geral da Saúde. (2015). Prescrição de Palivizumab para Prevenção de Infeção pelo Vírus Sincial Respiratório em Crianças de Risco. Norma nº 012/2013 de 30/07/2013 atualizada a 28/12/2015.

 SOCIEDADE PORTUGUESA DE PEDIATRIA. Seção de Neonatologia da SPP. (2007). Recomendações para a prevenção da infeção por vírus sincicial respiratório (VSR). Ata Pediátrica Portuguesa. 2007:38(4):169-171