Plagiocefalia – importância da prevenção!

Em 1991, foi desencadeada uma campanha iniciada em Inglaterra, designada por “Back to Sleep”, alterando de uma forma radical, as recomendações dadas até então, quanto à posição em que os bebé deveriam ser colocados para dormir. A habitual posição de “barriga para baixo” (decúbito ventral) foi substituída por “barriga para cima” (decúbito dorsal). Em 1992, a Academia Americana de Pediatria e posteriormente outras, também aderiu àquela recomendação e, desde então, a incidência da morte súbita no lactente baixou de uma forma muito significativa, salvando milhares de vidas todos os anos. A recomendação, indiscutível na sua legitimidade, acarretou um aumento na prevalência de plagiocefalia posicional em lactentes.

A plagiocefalia posicional ou postural, significa crânio de formato assimétrico – do grego Plagios (oblíqua) + Kephale (cabeça). A cabeça pode adotar a configuração de paralelogramo ou trapezoidal. Não é difícil perceber o quanto o crânio de um lactente é sensível às forças externas de pressão, uma vez que tem uma grande plasticidade, e é portanto pouco rígido.

Embora a prevenção da Plagiocefalia, com início logo no primeiro mês de vida, seja a melhor abordagem, é essencial saber diagnosticá-la corretamente e distingui-la de outras causas de assimetria craniana, nomeadamente de craniossinostose – que é o encerramento precoce de uma ou mais suturas cranianas. Esta sim, é uma situação bem mais grave, que para além da questão estética extrema, pode conduzir ao aparecimento de complicações neurológicas. A solução é sempre cirúrgica.

Como prevenir a Plagiocefalia?

  • Se não há dúvida de que o lactente deve dormir de “barriga para cima” para prevenir a síndrome da morte súbita, é fundamental perceber que brincar de “barriga para baixo” é importante não só para prevenir a plagiocefalia, como para estimular o desenvolvimento neuromuscular do lactente. Desde logo, recomendar cerca de 30 minutos por dia nesta posição, repartidos em períodos da manhã e da tarde, sob supervisão.
  • Alternar ao longo do dia a posição da cabeça do lactente. Evitar deixar o lactente permanecer durante longos períodos dentro das cadeiras de transporte e nos carros de passeio.
  • Durante o sono do lactente, os pais deverão estar atentos se este alterna o lado de posição da cabeça, e poderão até mesmo lateralizar um pouco, evitando assim forças de pressão sempre sobre o mesmo lado.

 

Tratamento

  • Perante uma situação de plagiocefalia, o tratamento dependerá da gravidade da assimetria craniana, mas consiste essencialmente em medidas conservadoras (não cirúrgicas). Para além dos conselhos de reposicionamento referidos, que podem ser usados para minorar a sua progressão, outras medidas de reabilitação podem reduzir a pressão sobre o lado afetado, sendo que nestas crianças a fisioterapia apresenta um papel essencial.
  • Há também disponível para compra, uma almofada para ajudar na correção da plagiocefalia postural. Esta almofada tem uma cavidade no centro, que permite um ajuste melhor da cabeça. Desta forma, consegue-se uma melhor distribuição da pressão exercida sobre a região occipital.
  • Em casos mais graves de deformidade craniana, poderá ser necessário recorrer ao capacete. Este trata-se de uma ortótese craniana dinâmica que vai agir com uma contraposição de forças. Realiza um apoio nas áreas proeminentes, contendo o seu crescimento, deixando as áreas achatadas livres para crescerem, direcionando  o próprio crescimento do crânio do lactente.
  • Ao contrário das situações de craniossinostose, a indicação cirúrgica nos casos de plagiocefalia postural é praticamente nula, sendo apenas limitada a casos extremos onde todas as outras medidas falharam.

Patrícia Ferreira

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica

ACES Cávado II – Gerês/Cabreira

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRETT, Ana et al. Plagiocefalia posicional: como atuar? Revista Saúde Infantil. 2012. Abril. Nº34 (1): 30-35.

AGUIAR, Francisco. Plagiocefalia – O que é? CSB 360º. Newsletter da Casa de Saúde da Boavista. 2018.

CRISTÓVÃO, Cláudia et al. Craniossinostoses: Importância Clínica e Implicações Funcionais. Revista Nascer e Crescer – revista do hospital de crianças maria pia. 2006. vol. XV, n.º 4.