Gravidez – a preparação para as noites mal dormidas?

A incidência da patologia do sono aumenta durante a gravidez, com impacto na saúde materna e fetal.

Com a gravidez verifica-se um aumento da prevalência de despertares noturnos, insónia, patologia respiratória do sono, síndrome das pernas inquietas e sonolência diurna.

Estas alterações do sono devem-se às modificações hormonais e fisiológicas próprias da gravidez, nomeadamente a necessidade de urinar mais frequentemente, as dificuldades em encontrar uma posição confortável, os movimentos do bebé e as dores músculo-esqueléticas, ou mesmo sonhos vívidos e preocupações comuns e ansiedade em relação ao bebé e parto, assim como por agravamento de patologia já existente.

Uma investigação realizada em 2014 através da plataforma online BabyCenter, onde participaram cerca de 2400 mulheres acima dos 18 anos e em todos os meses de gravidez, concluiu que a diminuição da qualidade e quantidade de sono, cansaço desde os primeiros meses e sonolência diurna afetam entre 38 e 76% das grávidas. Todas as grávidas estudadas reportaram despertares noturnos frequentes, pelo menos duas a três vezes por noite, e a maioria (78%) sentiu necessidade de sestas, principalmente no início e após os 8 meses de gravidez. Também a severidade da insónia parece aumentar com a proximidade ao nascimento, mas também com tabagismo e hipertensão materna, excesso de peso e idade mais avançada.

A diminuição da duração e da qualidade do sono podem ter impacto negativo no dia-a-dia e qualidade de vida da grávida, com implicações materno-fetais importantes. A patologia respiratória do sono, por exemplo, aumenta o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, hipertensão, restrição de crescimento fetal, prematuridade ou abortamento. Estudos realizados em animais sugerem existir mesmo efeitos a longo prazo na criança.

O tratamento depende da patologia detetada e baseia-se inicialmente em melhorar as rotinas e hábitos de sono e de vida: evitar stress nas horas de deitar, a criação de um ambiente calmo, silencioso, escuro, seguro e confortável no quarto, evitar o excesso de exercício, líquidos ou refeições pesadas à noite, evitar cafeína, assim como não consumir álcool ou tabaco. O uso de medicação específica implica uma decisão individualizada, tendo em conta a sua segurança e eficácia na gravidez – terá um impacto importante na sua saúde e do seu bebé, mesmo após o parto, seguir as recomendações do seu médico assistente.

Cláudia M. Silva e Ângela Fernandes