Envelhecimento Ativo – “ACTIVE AGING”

A OMS define Envelhecimento Ativo como o processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem. (CF. WHO, 2002; CF. Van Malderen et al., 2013). Segundo a mesma fonte, a população com mais de 60 anos vai quase duplicar de 12% para 22% de 2015 a 2050 e o número de pessoas com 60 anos ou mais vão ultrapassar o número de crianças com menos de 5 anos (CF. Sace et al; s/d), pelo que medidas urgentes necessitam ser tomadas a fim de tornar o envelhecimento cada vez mais associado à saúde, ao invés da doença. Podemos aferir que dado a gravidade do problema, se o envelhecimento continuar a ser preditor de doença, transformar-se-á num problema de saúde pública.

O envelhecimento da população continua a acentuar-se com impacto negativo na economia do país, pelo que medidas urgentes necessitam de ser tomadas no sentido de “revitalizar o envelhecimento”. A nível político, foi emanado o despacho n. º12427/2016 que criou um grupo de trabalho interministerial do qual emergiu o documento “Estratégia Nacional para o envelhecimento ativo e saudável 2017-2025. Nesse documento são reconhecidas por todos a importância da promoção de estilos de vida saudáveis, a gestão dos processos de comorbilidade a par da educação e formação ao longo da vida e criação de ambientes seguros potenciadores da efetiva participação das pessoas, para alcançar um envelhecimento saudável e ativo. Contudo, apesar dos eixos estratégicos e linhas orientadoras se encontrarem claramente definidas, urge a criação de medidas efetivas, ou seja, da transposição da teoria para a prática, com a participação de instituições públicas e privadas.

Do mesmo modo, estudos demonstram que a promoção estilos de vida saudáveis com a tónica na prevenção, nomeadamente de quedas; cuidados com a polimedicação, a vigilância das vulnerabilidades e o cumprimento do plano nacional de vacinação (CF. Lionisa et al., 2017; CF. Aliaga-Díaz et al., 2016; CF. Barbosa et al., 2015) como medidas fundamentais para o envelhecimento ativo.

Outros referem que a participação em grupos/socialização com vizinhos contribui para a saúde física e mental (CF. Previsto et al., 2019; Cf. Cheung-Ming Chan et al., 2015).

No que concerne aos profissionais de saúde é prioritário a criação de programas estruturados de enfermagem focados nas melhorias em saúde dos utentes ajustado às necessidades das pessoas, tendo o enfermeiro como promotor de saúde (CF. Bredland et al., 2018; CF. Szerwieski et al., 2018; CF. Ippoliti et al., 2018; CF. Agrawal et al., 2011; CF. Mendoza-Núñez et al., 2009).

Também são referidas medidas a eliminação de barreiras (CF. Bredland et al., 2018), a promoção de jogos cognitivos, devidamente ajustado às pessoas (CF. Scase et al., s/d); musicoterapia (CF. Guio et al., 2017); hidroginástica (CF. Estivaleta et al., 2017) como fundamentais, uma vez que, para além de contribuírem para o bem-estar físico, ao fomentarem as relações interpessoais contribuem para o bem-estar psicoemocional. Do mesmo modo, é inegável a relação da alimentação com redução do risco cardiovascular (CF. Badilla et al., 2017) e consequentemente com a qualidade de vida.

Em suma, os fatores externos (fatores sociais, económicos e ambientais) (CF. Oliveira et al., 2017); a par da estimulação cognitiva (CF. Aroca et al., 2012) e bem-estar-psicológico (CF. Fernandez et al., 2019) evidenciam relação direta com qualidade de vida, contribuindo para um envelhecimento ativo.

O envelhecimento é uma realidade inegável pelo que urgem medidas que visem independência funcional. Os determinantes em saúde (CF. Ferreira et al., 2012; CF. Farias et al., 2012) são os pilares basilares quando se pensa na estruturação de programas de promoção de saúde que devem também ter em linha de conta as necessidades individuais de cada pessoa. Se o envelhecimento for entendido por todos como, um problema real ao alcance de todos, será mais fácil envelhecer com saúde.

Maria de Fátima Pires Ribeiro Imperadeiro

Enfermeira especialista em Enfermagem de Reabilitação

UCC Amares